"Dor"
Choro pelos soldados nas covas rasas
Mortos, Perdidos e esquecidos
Esperando mais um beijo mortal
Para de lá caírem feridos
Vejo no campo de almas sujas
Só o corpo da criança ferida
Pelo monstro da barriga de aço
Cuja morte é a melhor saída
Eu choro pelos que nunca morrem
Recebem o beijo escaldante
Da rosalie e do mal perfume
Da Iperita suja amante
Do céu caem somente estrelas
Queimam minhas poucas memórias
Mas só não vejo de onde caem
Mas da morte saem as histórias
Há oito anos a cidade de Nova York era vítima do maior atentado terrorista da história. Se na época olhávamos estarrecidos as imagens do acontecido, se o fizermos agora nada mais seríamos que simples voyeurs diante da dor dos outros, já que isso já não mais teria sentido para quem o vê, tendo somente sentido para quem realmente pode influir no fato ou para quem esteve envolvido, como vítima, assim como defende Sontag. Se para alguns é motivo de estarrecimento, pode parecer distante para outros ou somente motivo de análise, perdendo todo seu poder bombástico inicial, só o tendo novamente em documentários de canais por assinatura que tentam reavivar suas cores fortes, assim como o fazem agora com os 70 anos do início da Segunda Guerra Mundial. Se temos tão viva memória sobre esses fatos que ceifaram a vida de milhares ou de milhões, o memso não ocorre com outros casos, como no Massacre dos Armênios pelos turcos ou por povos na antiga União Soviética durante o governo de Stalin ou de povos de etnias minoritárias na China. Longe dos olhos e distantes do coração. Como no fato da morte somente "creditada" de soldados americanos após da divulgação de suas urnas mortuárias em Dover, parece haver necessidade da exposição da imagem real para a crença ser fielmente completada. E se não houver a imagem para tal crença? Há mesmo a necessidade de tal prova visual? E as provas reais e visuais de atrocidades são totalmente creditadas? Mesmo creditadas, os fatos são interpretados de forma isenta de lucubrações políticas e sociais, que tentariam incluir em algum desvio de comportamento justificável? Se os crimes cometidos contra população civil durante a segunda guerra é condenada, o mesmo teria que ocorrer com os crimes cometidos contra as populações civis na Palestina pelos Sionistas. Os crimes cometidos por Sadddam Hussein foram expostos, mas e os cometidos pela Turquia contra os prórios Curdos? Há diferença na vítima ou no algoz? Há massacre justificável? A dor somente é sentida quando atinge a quem temos identificação. A dor dos outros nunca nos faz mal. Mas até quando?