domingo, 20 de setembro de 2009

Isenção?

O que faria uma cobertura jornalística ser isenta? Há critérios internos, interpretações advindas de nossas próprias convicções ou de nossa interpretação cultural - algo mais difícil de ser definido - e de critérios externos, fruto de nossas próprias necessidades - patrões, patrocinadores ou governo - mas que delimitam a cobertura integralmente ou parcialmente. Norman Finkelstein, em seu livro "Indústria do Holocausto", não cita uma cobertura jornalística, mas a ação direta de fundos de investimentos da prefeitura de Nova York em bancos suíços, influenciados por integrantes da comunidade judaica, como fator para obrigar esses bancos a pagar uma monumental indenização associações sionistas que "representariam" os sobreviventes judeus da segunda guerra. Se nesse caso fica claro uma influência econômica direta, há portanto a possibilidade de haver uma limitação jornalística, ou mesmo uma pressão, como no caso exposto no filme "Good Night, Good Luck" (2005), que mostra um programa que tinha como principal patrocinador o maior fabricante mundial de alumínio, ALCOA, fornecedora da principal fábrica americana de aviões, BOEING, que tinha contrato com o governo americano para a construção e fornecimento de vários aviões de combate e bombardeio. Atacando o senado, a emissora CBS foi pressionada pelo governo para findar os ataques a comissão do senador Joseph McCarthy. Governo, fábrica de aviões e fábrica de alumínio. Elos de uma ação de um patrocinador contra um programa. Influência econômica delimitando, ou tentando delimitar a ação jornalística de uma cobertura. Essa ao menos é ou foi conhecida, mas e as outras às quais não temos acesso? Que tipo de estrago na cobertura fazem no enfoque jornalístico? Que tipo de perda temos na cobertura em função disso?
Qual seria a influência de patrocinadores-anunciantes da TV ligados a comunidade judaica, como por exemplo a CHEVRON, na cobertura dos conflitos Israel-Palestina? Não se trata de uma visão antisemita, mas somente um exemplo de um conflito desproporcional de um exército grandemente armado contra protoestado palestino, tendo como referencial ações em sua maioria como vítima população civil palestina. É nada mais que um exemplo e não visão antisemita, podendo se vista como interpretação antisionista desse autor, o que não tem o mesmo significado.
Se há uma clara influência interna nas coberturas jornalísticas, seus efeitos são mais indefiníveis. O que essa perda causa são difíceis de serem determinadas. Quais seus efeitos? Essa resposta só o tempo poderá dar. Infelizmente.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Reminiscências

"Dor"

Choro pelos soldados nas covas rasas
Mortos, Perdidos e esquecidos
Esperando mais um beijo mortal
Para de lá caírem feridos

Vejo no campo de almas sujas
Só o corpo da criança ferida
Pelo monstro da barriga de aço
Cuja morte é a melhor saída

Eu choro pelos que nunca morrem
Recebem o beijo escaldante
Da rosalie e do mal perfume
Da Iperita suja amante

Do céu caem somente estrelas
Queimam minhas poucas memórias
Mas só não vejo de onde caem
Mas da morte saem as histórias

Há oito anos a cidade de Nova York era vítima do maior atentado terrorista da história. Se na época olhávamos estarrecidos as imagens do acontecido, se o fizermos agora nada mais seríamos que simples voyeurs diante da dor dos outros, já que isso já não mais teria sentido para quem o vê, tendo somente sentido para quem realmente pode influir no fato ou para quem esteve envolvido, como vítima, assim como defende Sontag. Se para alguns é motivo de estarrecimento, pode parecer distante para outros ou somente motivo de análise, perdendo todo seu poder bombástico inicial, só o tendo novamente em documentários de canais por assinatura que tentam reavivar suas cores fortes, assim como o fazem agora com os 70 anos do início da Segunda Guerra Mundial. Se temos tão viva memória sobre esses fatos que ceifaram a vida de milhares ou de milhões, o memso não ocorre com outros casos, como no Massacre dos Armênios pelos turcos ou por povos na antiga União Soviética durante o governo de Stalin ou de povos de etnias minoritárias na China. Longe dos olhos e distantes do coração. Como no fato da morte somente "creditada" de soldados americanos após da divulgação de suas urnas mortuárias em Dover, parece haver necessidade da exposição da imagem real para a crença ser fielmente completada. E se não houver a imagem para tal crença? Há mesmo a necessidade de tal prova visual? E as provas reais e visuais de atrocidades são totalmente creditadas? Mesmo creditadas, os fatos são interpretados de forma isenta de lucubrações políticas e sociais, que tentariam incluir em algum desvio de comportamento justificável? Se os crimes cometidos contra população civil durante a segunda guerra é condenada, o mesmo teria que ocorrer com os crimes cometidos contra as populações civis na Palestina pelos Sionistas. Os crimes cometidos por Sadddam Hussein foram expostos, mas e os cometidos pela Turquia contra os prórios Curdos? Há diferença na vítima ou no algoz? Há massacre justificável? A dor somente é sentida quando atinge a quem temos identificação. A dor dos outros nunca nos faz mal. Mas até quando?