sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Nobres e plebeus

Em tempos de se pensar o planejamento para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 a prefeitura do Rio de Janeiro nos surpreende com financiamento milionário para um grupo seleto de atletas, tendo entre eles somente um que não dispunha de um grande patrocinador ou que não tenha condições econômicas para se manter na prática de seu desporto que é justamente a atleta usada como símbolo da candidatura Rio 2016, Bárbara Leoncio. Tem-se aí uma clara distinção entre nobres e plebeus. Numa prova de ocorrida de rua, tão popular hoje em dia, a maioria dos participantes são amadores ( a própria definição os inclui nos que praticam porque amam o esporte, sem ganhos, sem pensar nas dificuldades, somente pelo prazer), superando em muito os atletas profissionais ou elite, assim como em competições de Judô ou qualquer outro desporto olímpico ou não.
Enquanto isso nossa prefeitura concentra os recursos econômicos da Cidade em poucos atletas, relegando a segundo todos aqueles que não tem a mesma oportunidade ou vontade de ir a uma Olimpíada ou Mundial,, mas que praticam com amor o mesmo esporte. Nesse ato está escondido uma distinção entre os plebeus e a nobreza do esporte. A casta privilegiada dos atletas de elite recebem benesses do Estado como os nobres recebiam da Corte. Se antes a distinção era aceita na sociedade de Antigo Regime, hoje essa diferença não é tão bem aceita. Construído com dinheiro público, as instalações usadas no Pan2007, algumas como o estádio do Engenhão, a Arena Multiuso e o parque aquático Maria Lenk são os maiores símbolos de um poder concentrado na mão de empresas ou de pouco atletas nobres de uma sociedade de privilégio. Falam em legado esportivo, mas se antes das Olimpíadas não se vê esse acesso amplo aos mobiliário esportivo o que se esperar depois? Nas nossas escolas não existem piscinas e somente em poucas há quadras esportivas. Não existem piscinas públicas para a prática da natação, como na Austrália. As pistas de atletismo aberta ou são raras ou se encontram em péssimo estado. O que se esperar do resultado dessa diferença de tratamento? Quem formará os novos atletas? As academias? Os empresários?
Será que assistiremos uma cada vez maior concentração de recursos no nobres atletas, sem se pensar nos verdadeiros atletas que lotam as ruas, estradas, mares e piscinas, para daí saírem naturalmente os atletas olímpicos, mais plebeus que nobres, mais próximos de todos nós e distantes dos nobres de capa e espada atuais.
Atletas tem que ser fruto de uma sociedade, e não uma anomalia estamentária que se reproduz dentro de si própria, já que os recursos são PÚBLICOS.
Morte aos reis do esporte. E viva a república esportiva.