quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Reflexões cruéis

Tenho acesso ao noticiário quase que durante o dia inteiro através do instrumento dito como antiquado, o rádio, e através dele hoje percebi como as pessoas se acostumam muito facilmente às desgraças urbanas. Se no início da manhã os âncoras se mostravam estarrecidos com a notícia que a secretaria municipal de ensino vai treinar professores para lidar com a violência no Rio de Janeiro. O que aparece uma forma de admitir indiretamente que o estado não tem condições de lidar com a violencia, a falência pública, é visto pela prefeitura como forma de "lidar" com o problema "local" - como dito pelo secretário de segurança Beltrame - mas é a a total incapacidade de dar a população a segurança necessária. No fim da manhã, os âncoras já achavam esse treinamento igual ao que ocorre em países que lidam com desastres naturais como terremotos e afins - Japão como exemplo - mas temos que considerar que a violência pode e deve ser controlada, o que difere dos desastres naturais que não podem ser controlados nem são originados da ação humana.
No fim do dia soube de uma manifestação de estudantes (?) na direção do palácio do governo, e infelizmente tive que passar pelo local e os vi aos brados como se gritassem para uma multidão de milhares, o que não era o caso, sendo no máximo uns 100 a 120. Como diz um professor com quem tive aula há, alunos de universidades que se utilizam de sua posição para se promoverem junto a partidos políticos, o que só isso já explicaria esse barulho todo. No palácio Guanabara, dentro e fora estavam os políticos, estudantes e os políticos de cargo. E de longe os mortais só observam o barulho vazio.
Em ambos os casos a desgraça se tornou comum e rotineira. Violência real ou política se tornaram tão comuns que nem mais ligamos e só abaixamos a cabeça no pior momento e depois seguimos em frente. Mas até quando?

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Ao Rio tudo...ao Brasil nada e mais nada

Após a escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 e sede de jogos da Copa do mundo de 2014, surge a notícia que a prefeitura do Rio de Janeiro pretende implementar ajuda na formação de atletas do esporte de alto rendimento, enquanto as escolas no Brasil mal tem quadras esportivas, quanto mais piscinas ou outros locais de prática como pistas de atletismo ou para práticas de luta. Tem-se também a notícia que a "grande" CBDA pretende trazer para o Brasil - especialmente para o Rio de Janeiro - em locais que seriam utilizados para as Olimpíadas o Mundial de Natação de 2015, além de uma notícia não confirmada de um grande prêmio da fórmula Indy, igualmente para o Rio de Janeiro. Se antes o Rio de Janeiro, ou o Brasil, nunca antes sediou um mundial de futebol sub20, sub17, mundial de atletismo ou de natação, temos agora de uma hora para outra "condições" mágicas que nos habilitam a sediar copa, olimpíadas e até mundiais de natação. Se o último grande evento sediado no Brasil foi um mundial de basquete em São Paulo, e que demonstrou toda a incapacidade de organização até com goteiras no ginásio de Ibirapuera minutos antes de jogos, fato considerado de pouca importância pelo antigo presidente de CBB.
Sr antes não tínhamos condições, o que nos torna capazes agora? Se antes o estado (prefeitura, governo estadual e federal) não tinha recursos para implementar um projeto esportivo nas escolas além de não fornecer um salário digno a professores (professores de educação física estão aqui incluídos, e são justamente estes que serão responsáveis pela iniciação esportiva de jovens nas escolas ), médicos e outros profissionais, de onde virá os recursos para todos esses eventos? E se vierem esses recursos por que antes não se deu o devido valor a esses profissionais? O trem-bala entre RJ e SP é visto como grande obra, mas e metrô nas grandes cidades que diminuiria o tempo no deslocamento casa-trabalho pelo trabalhador, por que não é realmente ampliado?

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Ouro de tolo...

Enquanto se comemora através de discursos tanto em Copenhagen, quanto no Brasil, através de entrevistas de presidente, governador , prefeito, ministra da casa civil, sem contar jornalistas eufóricos e ex-atletas, há um fator a ser considerado por todos. Como vivemos num país pobre, algo que não há como negar, seria um desperdício dos governos municipal, estadual e federal o gasto com instalações esportivas que nem saberemos se serão utilizadas, enquanto há falta de escolas de qualidade, sem contar os baixos salários de professores, deficiência na saúde e iguais baixos salários.
Não que o Rio de Janeiro não possa sediar os jogos, mas isso é tratado como uma grande festa num país onde os recursos públicos são mal gastos, desviados ou nunca utilizados ou por falta de vontade política ou por não serem transformados em políticas de estado e não somente políticas de governos.
Se no Pan-2007 os gastos ultrapassaram em muito o previsto, há de se esperar muito mais para as Olimpíadas. Enquanto se fala muito em projetos de iniciação esportiva, pouco se pensa no local para isso: as escolas, com os professores ganhando pouco. Ou pior, tratando o esporte como instrumento de ascensão social ou para se ganhar medalhas. Há no Brasil e no mundo um universo vasto de atletas que praticam suas modalidades por puro amor ou gosto, vide as gigantescas maratonas pelo mundo afora. As medalhas são fruto de um processo longo, e não somente de um projeto de sete anos.
Além disso há a problemática da formação externa dos atletas, pois as escolas iniciam os jovens, mas não os transformam em reais competidores. Os clubes no Brasil perderam seus núcleos sociais vastos, que eram a base das práticas esportivas, passando a depender de atletas ou equipes de aluguel. Sem quadro sociais, os clubes vão morrendo aos poucos , como se pode comprovar ao andar pela cidade. Um dia a morte estará decretada no esporte brasileiro.
É esperar pra ver.

domingo, 20 de setembro de 2009

Isenção?

O que faria uma cobertura jornalística ser isenta? Há critérios internos, interpretações advindas de nossas próprias convicções ou de nossa interpretação cultural - algo mais difícil de ser definido - e de critérios externos, fruto de nossas próprias necessidades - patrões, patrocinadores ou governo - mas que delimitam a cobertura integralmente ou parcialmente. Norman Finkelstein, em seu livro "Indústria do Holocausto", não cita uma cobertura jornalística, mas a ação direta de fundos de investimentos da prefeitura de Nova York em bancos suíços, influenciados por integrantes da comunidade judaica, como fator para obrigar esses bancos a pagar uma monumental indenização associações sionistas que "representariam" os sobreviventes judeus da segunda guerra. Se nesse caso fica claro uma influência econômica direta, há portanto a possibilidade de haver uma limitação jornalística, ou mesmo uma pressão, como no caso exposto no filme "Good Night, Good Luck" (2005), que mostra um programa que tinha como principal patrocinador o maior fabricante mundial de alumínio, ALCOA, fornecedora da principal fábrica americana de aviões, BOEING, que tinha contrato com o governo americano para a construção e fornecimento de vários aviões de combate e bombardeio. Atacando o senado, a emissora CBS foi pressionada pelo governo para findar os ataques a comissão do senador Joseph McCarthy. Governo, fábrica de aviões e fábrica de alumínio. Elos de uma ação de um patrocinador contra um programa. Influência econômica delimitando, ou tentando delimitar a ação jornalística de uma cobertura. Essa ao menos é ou foi conhecida, mas e as outras às quais não temos acesso? Que tipo de estrago na cobertura fazem no enfoque jornalístico? Que tipo de perda temos na cobertura em função disso?
Qual seria a influência de patrocinadores-anunciantes da TV ligados a comunidade judaica, como por exemplo a CHEVRON, na cobertura dos conflitos Israel-Palestina? Não se trata de uma visão antisemita, mas somente um exemplo de um conflito desproporcional de um exército grandemente armado contra protoestado palestino, tendo como referencial ações em sua maioria como vítima população civil palestina. É nada mais que um exemplo e não visão antisemita, podendo se vista como interpretação antisionista desse autor, o que não tem o mesmo significado.
Se há uma clara influência interna nas coberturas jornalísticas, seus efeitos são mais indefiníveis. O que essa perda causa são difíceis de serem determinadas. Quais seus efeitos? Essa resposta só o tempo poderá dar. Infelizmente.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Reminiscências

"Dor"

Choro pelos soldados nas covas rasas
Mortos, Perdidos e esquecidos
Esperando mais um beijo mortal
Para de lá caírem feridos

Vejo no campo de almas sujas
Só o corpo da criança ferida
Pelo monstro da barriga de aço
Cuja morte é a melhor saída

Eu choro pelos que nunca morrem
Recebem o beijo escaldante
Da rosalie e do mal perfume
Da Iperita suja amante

Do céu caem somente estrelas
Queimam minhas poucas memórias
Mas só não vejo de onde caem
Mas da morte saem as histórias

Há oito anos a cidade de Nova York era vítima do maior atentado terrorista da história. Se na época olhávamos estarrecidos as imagens do acontecido, se o fizermos agora nada mais seríamos que simples voyeurs diante da dor dos outros, já que isso já não mais teria sentido para quem o vê, tendo somente sentido para quem realmente pode influir no fato ou para quem esteve envolvido, como vítima, assim como defende Sontag. Se para alguns é motivo de estarrecimento, pode parecer distante para outros ou somente motivo de análise, perdendo todo seu poder bombástico inicial, só o tendo novamente em documentários de canais por assinatura que tentam reavivar suas cores fortes, assim como o fazem agora com os 70 anos do início da Segunda Guerra Mundial. Se temos tão viva memória sobre esses fatos que ceifaram a vida de milhares ou de milhões, o memso não ocorre com outros casos, como no Massacre dos Armênios pelos turcos ou por povos na antiga União Soviética durante o governo de Stalin ou de povos de etnias minoritárias na China. Longe dos olhos e distantes do coração. Como no fato da morte somente "creditada" de soldados americanos após da divulgação de suas urnas mortuárias em Dover, parece haver necessidade da exposição da imagem real para a crença ser fielmente completada. E se não houver a imagem para tal crença? Há mesmo a necessidade de tal prova visual? E as provas reais e visuais de atrocidades são totalmente creditadas? Mesmo creditadas, os fatos são interpretados de forma isenta de lucubrações políticas e sociais, que tentariam incluir em algum desvio de comportamento justificável? Se os crimes cometidos contra população civil durante a segunda guerra é condenada, o mesmo teria que ocorrer com os crimes cometidos contra as populações civis na Palestina pelos Sionistas. Os crimes cometidos por Sadddam Hussein foram expostos, mas e os cometidos pela Turquia contra os prórios Curdos? Há diferença na vítima ou no algoz? Há massacre justificável? A dor somente é sentida quando atinge a quem temos identificação. A dor dos outros nunca nos faz mal. Mas até quando?