Tenho acesso ao noticiário quase que durante o dia inteiro através do instrumento dito como antiquado, o rádio, e através dele hoje percebi como as pessoas se acostumam muito facilmente às desgraças urbanas. Se no início da manhã os âncoras se mostravam estarrecidos com a notícia que a secretaria municipal de ensino vai treinar professores para lidar com a violência no Rio de Janeiro. O que aparece uma forma de admitir indiretamente que o estado não tem condições de lidar com a violencia, a falência pública, é visto pela prefeitura como forma de "lidar" com o problema "local" - como dito pelo secretário de segurança Beltrame - mas é a a total incapacidade de dar a população a segurança necessária. No fim da manhã, os âncoras já achavam esse treinamento igual ao que ocorre em países que lidam com desastres naturais como terremotos e afins - Japão como exemplo - mas temos que considerar que a violência pode e deve ser controlada, o que difere dos desastres naturais que não podem ser controlados nem são originados da ação humana.
No fim do dia soube de uma manifestação de estudantes (?) na direção do palácio do governo, e infelizmente tive que passar pelo local e os vi aos brados como se gritassem para uma multidão de milhares, o que não era o caso, sendo no máximo uns 100 a 120. Como diz um professor com quem tive aula há, alunos de universidades que se utilizam de sua posição para se promoverem junto a partidos políticos, o que só isso já explicaria esse barulho todo. No palácio Guanabara, dentro e fora estavam os políticos, estudantes e os políticos de cargo. E de longe os mortais só observam o barulho vazio.
Em ambos os casos a desgraça se tornou comum e rotineira. Violência real ou política se tornaram tão comuns que nem mais ligamos e só abaixamos a cabeça no pior momento e depois seguimos em frente. Mas até quando?
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