quinta-feira, 13 de maio de 2010

Esporte para poucos?

No diário Lance o senhor J. Hawilla, dono da agência Traffic de marketing esportivo e parceira de clubes de futebol como Palmeiras e Fluminense entre outros, diz que torcedores que antes ficavam na geral terão que ser somente telespectadores, pois "é gente que não consome nada, depreda e mata no metrô. Não interessa mais ao futebol".
Não seria uma visão preconceituosa e sobre um público de baixa renda dos estádios e até generalizante, pois considera que pobre em estádio é por corelação também bandido, assim como a visão de senso comum que preto e pobre é sempre bandido, vide como as pessoas tratam um mendigo na rua como se fossem leprosos ou emissários do demônio.
Não tiro o direito desse senhor pensar, como dono de uma empresa de marketing esportivo, em ter um público de maior poder aquisitivo em jogos dos times com os quais tem relação, mas é muito simplório de sua parte achar que esse público de menor poder aquisitivo não tem poder real de compra.
Com o advento do plano real essa fatia da população passou a ter acesso a gêneros alimentícios que antes eram luxo, como refrigerantes, biscoitos e outros produtos industrializados, que também contribuíram para tornar a alimentação dessa parcela da população um pouco pobre. Se esse público passou a ter poder de compra, mesmo que de alguns gêneros, não significa que não comprem nada como esse senhor diz. É obvio que mesmo não se pode eliminar uma parcela tão grande, ainda mais no esporte mais popular no país, pois mesmo dizendo que não defende uma elitização ele sente "orgulho ver o público pagar R$ 300 pelo ingresso."
Ingressos mais caros existem, mas mesmo nas óperas existem ingressos "populares" ainda que distantes da realidade popular. Será que devemos aceitar que, por uma maior valorização do esporte no Brasil, o grande público deva ser excluído dos grandes eventos esportivos, ainda mais sabendo que dinheiro público municipal, estadual e federal serão usados para construção de estádios e arenas esportivas para a Copa do Mundo de 2014 e Olimpíada de 2016?
Mas a visão desse senhor não é tão distante do pensamento de dirigentes esportivos de nosso país. A pena é ver o dinheiro público ser usado para grandes eventos , nos quais o "povão" só verá pela televisão. Esporte para inglês ver.

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