quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Reflexões de um tricolor

Desde que me entendo por gente acompanho futebol, seja a mais simples pelada na rua, pracinha ou campo de terra, seja de seleção da qual lembro já das Copas de 78 e 82, e até do time o qual escolhi de forma inexplicável de um time (Fluminense).
Algumas escolhas fazemos racionalmente na vida, mas outras são movidas pelo mais alto pulsar do coração ou brilho dos olhos ao vislumbrar o inexplicável. A escolha de um amor, uma amizade ou um time para o qual torcer são daqueles que não precisam acompanhar a racionalidade. Apesar de inexplicáveis, estas paixões precisam ser medidas, como o são as palavras, os gestos, e até as mais simples coisas para que não avancem além do real ou aceitável. Se as palavras são possíveis de serem escolhidas, as paixões futebolísticas não o são. Não há como explicar porque o moço da carrocinha de fruta torce para o Santinha ou o amigo Paraibano morre de amores pelo Palmeiras. Acho sempre inexplicável a surpresa das pessoas para o amor do jornalista Alex Escobar pelo América. O coração não tem razões, mas as palavras seguem o caminho do coração, e também passam pela razão. E esta deveria guiar palavras de jornalistas e torcedores, para impedir que a mais inocente criança (E qual criança não é inocente na mais profunda simplicidade?) possa andar na rua sem ser vilipendiada de seu direito de envergar a camisa que mais lhe parece simpática. Que duas pessoas possam conversar sobre futebol sentados numa mesa de bar sem correr o risco de serem xingados ou agredidos em função da expressão pública de sua preferência futebolística. Que um jovem possa andar na rua sem medo de demonstrar seu amor por qualquer que seja seu time.
Muito se falou e foi escrito por um ou por outro jornalista acerca dos acontecimentos dos últimos dias envolvendo o julgamento do STJD. Alguns mediram suas palavras e comentários, tentando compreender e serem compreendidos dentro um turbilhão de informações e desinformações. Assoberbados por uma possível avalanche de informações e comentários vindos da TV, rádio, blogs, redes sociais, alguns jornalistas e comentaristas reproduziram um senso comum ou simplesmente não mediram palavras ou vírgulas para falar do caso e dos clubes envolvidos. Alguns diriam que houve uma irresponsabilidade ou má-fé de um ou outro jornalista, decantando um rancor recolhido contra os cariocas ou especificamente contra um time. Outros poderiam dizer que houve pressa em se manifestar em função de um caso, sem se preocupar com leituras mais apuradas ou imparciais. Prefiro ver que a culpa foi de uma pressa galopante, que empurra a todos nós para o minuto anterior, abreviando os espaços do dia. Somado a isso, culpo a inexorável força do teclado de um computador que roubou nossa capacidade de escolher algumas palavras, afastando o poder de rasurar um lápis ou de uma borracha. Nada mais correto que uma palavra mal escrita possa ser rasurada, apagada ou substituída por outra menos preconceituosa ou mais explicativa. Com tantas teclas, percebo que um simples toque no "backspace" ou "delete" poderia evitar palavras duras ou mal colocadas.
Não culpo um ou outro jornalista, mas gostaria de levar a reflexão aqueles que escrevem ou falam e são lidos ou ouvidos por centenas, milhares ou milhões nos mais variados veículos de informação. Que suas palavras não escondam um rancor, medo ou tentativa de criar uma animosidade que impeça a proximidade inocente de dois desconhecidos que torcem por times diferentes, sem que se crie uma nuvem de animosidade entre as partes. Que se use a mais simples vírgula ou ponto de exclamação para suscitar a reflexão de todas as partes. Que não se permita a transformação de um simples jogo de bola numa guerra entre lados que não são opostos. Que se pergunte se é necessária ou verdadeira nossa palavra. Que não se crie clima de animosidade que impeça o mais simples menino de usar a camisa de seu time do coração. Que não percamos a crítica sobre nossas próprias palavras ou gestos.

E que no final, eu possa somente olhar para o jornal preocupado só com a data do próximo jogo do meu time do coração, sem querer saber em qual divisão está, mas somente querendo sintonizar o radinho e colar o ouvido na caixinha para ouvir a mais esfusiante narração do momento mais importante de todos: o GOOOOOOLLLLLLLLLL

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Falta de profissionalismo no esporte

As pessoas falam que há profissionalismo em todas os níveis do futebol (assim como em todos os esportes), mas essa característica fica restrita a um pequeno grupo: os empresários. Muitos reclamam que a lei Pelé tirou poder dos clubes e deu aos empresários, mas isso não é verdade, pois somente tentou obrigar os clubes a ter comportamento profissional. Enquanto isso, os empresários assumiram de forma profissional a lacuna que sempre existiu. Os clubes de futebol não são profissionais quando não pagam em dia salários de jogadores e funcionários, quando ficam fazendo leilão de jogador de médio porte, quando fazem contratações escusas, quando tentam sempre levar grandes jogos para estádios pequenos (como o Vasco que tenta sempre levar jogos pra um estádio sem a mínima condição de SEGURANÇA, acomodação, alimentação e HIGIENE), quando perdem jogadores para times médios do exterior durante a temporada, vide o exemplo do caso Vitinho, e depois ficam tentando em cima da hora tapar o sol com a peneira ao tentar dar aumento às pressas para o jogador. 
Enquanto isso, os empresários tentam sempre a melhor negociação para seus representados. Os dirigentes ficam sempre tentando convencer a imprensa, o torcedor e os jogadores que todos tem que estar envolvidos com o futebol por amor, mas não pagam salários de jogador em dia, não dão condições de treino, acomodação e preparação antes da temporadas de forma adequada, não tem salas de imprensa adequadas ou não tratam, através de "assessores de imprensa" (sic), a imprensa e os torcedores , que são os reais beneficiados pela notícia, não dão condições dignas de compra de ingressos ou de acomodação em alguns estádios, não tratam bem os patrocinadores, quando permitem que jogador tire a camisa em campo ou não a use em entrevistas, ou quando permite aquela mixórdia da entrada dos jogadores em campo com dezenas de crianças que só serve para esconder o nome dos patrocinadores.
Os dirigentes cobram profissionalismo, mas tratam o futebol como há cinquenta anos, quando dirigente corria para cidade vizinha para comprar camisa reserva de seleção em final de Copa. O que acontece no futebol também se  repete em outros esportes. É só saber procurar a falta de profissionalismo, como no atletismo, natação entre outros. e ainda querem fazer os jogos Olímpicos no Brasil...